quinta-feira, 28 de junho de 2012

Cabo do Medo


O que fazer para se superar quando se torna um dos diretores americanos mais importantes de todos os tempos em menos de 20 anos de carreira e criador se clássicos do cinema como Taxi Driver e Touro Indomável? Martin Scorsese, um dos cineastas mais importantes que já passaram pela história da sétima arte com toda certeza não se preocupou com essa questão ao ter a ideia de lançar o remake do suspense Círculo do Medo, intitulado por ele de Cabo do Medo. Quando todos esperavam do diretor mais uma obra impactante e revolucionário, o gênio brindou o público com um típico filme pipoca, talvez o mais comercial de sua longa carreira.
Max Cady acaba de sair da prisão depois de 14 anos preso devido a um estupro cometido contra uma jovem de 16 anos. O que poderia ser um recomeço, acaba se tornando uma obcessão em relação ao seu ex advogado, que acabou escondendo um fato que poderia inocentar o acusado e mudar os rumos de sua vida. Rancoroso e vingativo, Max passa a perseguir seu ex defensor e sua família, aterrorizando e fazendo de tudo para terminar o seu plano sangrento, tentando pagar com a mesma moeda o homem que segundo ele, foi o grande culpado por sua ruína.
Martin Scorsese, ao pegar um filme já clássico do cinema, deu sua própria visão sobre a história utilizando a linguagem mais clássica do suspense americano, o noir. Utilizando diversas imagens desfocadas e até psicodélicas, o diretor consegue surpreender e aterrorizar o espectador com uma história impactante. Apesar de ser um ótimo filme com a marca Scorsese, Cabo de Medo não se torna uma obra de arte, é um típico filme de suspense americano, em que o final é previamente esperado.
No elenco se destaca Robert DeNiro como o vilão Max Cady e Juliette Lewis como a filha adolescente do advogado vivido por Nick Noite, que estava no auge de sua carreira. Jessica Lange, bela e talentosa como sempre, consegue roubar algumas cenas, mas apenas cumpre apenas  o seu papel de diva em filme de grande diretor.
Cabo de Medo é um filme excelente para se passar o tempo e é recomendado para quem procura boa diversão, apesar de contar com grandes e clássicos nomes nos seus créditos, passa longe de ser uma obra de arte e é um dos filmes menos lembrados na carreira do diretor. Para uma carreira como a de Martin Scorsese, isso pode até significar pouca coisa, mas se comparado com filmes de outros cineastas, acaba se tornando um filme melhor até do que se imagina.

Nota:8,0

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Coração Selvagem



Em seus mais de 30 anos de carreira, o diretor David Lynch registrou apenas dois filmes mais próximos do cinema comercial americano. Eles foram O Homem Elefante e Veludo Azul, essas duas produções continuaram mantendo a personalidade absurda do diretor, porém, ao mesmo tempo mostrava uma linguagem mais bem amarrada e explicativa. Em 1990, o diretor chegou ao seu auge, ao lançar no mesmo ano a série Twin Peaks e o filme Coração Selvagem, ambos foram sucessos de crítica e público e representaram para o diretor o fim da revisão de seus filmes pelos estúdios. Nesse ano, Lynch se tornou livre para fazer os filmes que queria e apresentar o final ideal que sua mente tinha criado.

Coração Selvagem conta a história do casal Sailor e Lula, os dois são jovens, bonitos, rebeldes e estão totalmente apaixonados um pelo outro. Depois de assassinar um rapaz negro que tentou assediar sua namorada, Sailor passa um período na cadeia, mas logo retorna contato com Lula, os dois passam a viajar e se distanciar na diabólica mãe de Lula, Marietta Fortune, que criou um grande plano para assassinar o namorado da filha. Porém, no decorrer da história, vários pontos escondidos na narrativa passam a surgir e tentam levar o espectador ao entendimento do filme, mas ao mesmo tempo, Coração Sevagem cai no surrealismo e no imaginário, principalmente quando a história passa a ser contata pela ótica de Lula, que imagina sua vida como se estivesse no filme O Mágico de Oz.

Engane-se quem pensa que Coração Selvagem e um filme fácil e feito para as massas, David Lynch guardou nessa produção a sua personalidade mais profunda e que posteriormente iria ser apresentada de forma bem mais aberta em Cidade dos Sonhos. O filme não se prende a uma narrativa comum e mostra diversos furos em tela, a história é mostrada pela visão que os personagens tem dos acontecimentos, dessa maneira, Coração Selvagem se torna um dos melhores e mais criativos filmes feitos nos anos 90. Lynch manteu sua parceria com o produtor musical Angelo Badalamanti, e o resultado é uma das trilhas mais alternativas de um filme do diretor. Sexo, violência e rock and roll, esses foram os três elementos principais que o diretor usou nessa produção.

Nicolas Cage e Laura Dern, ambos nos auges de suas carreiras, mostram química e conexão com seus personagens, porém, o filme é totalmente de Diane Ladd. Usando de uma linguagem que iria ser aprofundado em Cidade dos Sonhos, Lynch escolheu propositalmente a atriz para viver a vilã Marietta Fortune, para quem não sabe ela é mãe na vida real de Laura Dern, e voltou ao estrelato depois que sua filha estourou no mundo do cinema, dessa forma, a relação das duas fora e dentro da tela é de competitividade.

Coração Selvagem é um dos grandes clássicos do cinema moderno e com toda certeza mereceu toda a grande atenção que recebeu por parte da crítica e do público. O filme merece ser colocado facilmente na lista de produções que definiram e representaram uma geração, pois além de sua grande qualidade narrativa e visual, ditou moda com músicas, roupas e comportamentos, ou seja, um pequeno fenômeno da cultura pop, mas sem apelar para a massificação.

9.0/10

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Anticristo



Lars Von Trier nunca se preocupou muito em seguir a tendência cinematográfica moderna, criador das trilogias "golden heart" e "american", o diretor criou polêmica e controversia na indústria pelas linguagens nada comuns de seus filmes. Quando a grande maioria dos críticos acharam que ele tinha chegado ao limite do seu experimentalismo e de sua técnica com Dogville e Manderlay, o diretor supreendeu com a sua mais nova empreitada. Anticristo, lançado em 2009, conta por um viés totalmente masoquista e despudorado como a humanidade lida com o sentimento de perda existente desde que os seres vivos passaram a formar sua personalidade no paleolítico médio. Pelo que foi mostrado nessa produção e em seu filme seguinte, Melancholia, o diretor está investindo mais em efeitos especiais e tenta mostrar, em diversas profundidades, protagonistas vivendo situações limites de suas existências.

Um casal perde de maneira trágica o seu filho pequeno e a mulher passa a lidar com o seu luto de uma forma extrema e diferente. O marido, inicialmente assustado com o comportamento da esposa, tenta fazer um tratamento alternativo para tirá-la de sua situação crítica. Levando-a para locais que a interligam com a criança, os dois passam a viver momentos surreais e se punem sexualmente por arrependimentos passados.

O filme tem um ritmo meio lento, ao investir mais no diálogo do que nas imagens, o Anticristo passa a ser, em determinado momento, uma produção monótoma. Sem preça de contar sua história, o diretor, assim como já tinha feito em Melancholia, puxa ao extremo as atuações de seus dois protagonistas, e ambos chegam aos seus auges. Quando a produção ganha ritmo e Trier passa a se focar em mostrar belas cenas, o Anticristo realmente mostra a que veio e se torna um filme bastante acima da média do que os cineastas modernos andam criando. Se o filme tem um ponto alto, esse ponto é o roteiro. Carregado de simbolismos e de momentos lúdicos, o Anticristo causou polêmica pela sua história, mas o que poucos se prenderam a perceber, é que o filme é na verdade uma fortíssima história sobre a condenação dos instintos impostos pelo cristianismo em anos de existência aos seres humanos.

Charlotte Gainsbourg e William Deffoe chegam ao extremo de suas atuações e entram em um campo interpretativo que talvez nenhum ator "sério" teria coragem de entrar. Charlotte, que venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes, cria uma personalidade polêmica, forte e atormentada para sua personagem e se destaca de forma grandiosa, sua atuação é com certeza uma das melhores dos últimos anos e mereceu toda a atenção que teve. Quantas atrizes conseguiriam prender os críticos a sua intepretação mesmo fazendo cenas de sexo e mutiliação? Charlotte Gainsbour conseguiu, e com excelente competência.

O Anticristo não é, definitivamente, um filme para ser assistido e entendido pela grande massa. Sua história é abertamente "complicada" e derivada da cultura erudita, ou seja, sua classificação não corresponde aos filmes feitos para o grande público, mas mesmo assim, não deixa de ser uma produção potente e envolvente, assim como a grande maioria dos outros filmes do diretor. Talvez por sua coragem, Lars Von Trier nunca tenha sido reconhecido com um indicação ao Oscar de melhor diretor, mas sua genialidade é acima disso.

8.5/10

domingo, 20 de maio de 2012

Elizabeth e Elizabeth - A Era de Ouro





A rainha Elizabeth I passou para a história como uma das maiores figuras políticas e religiosas de todos os tempos. Centrada no meio de uma família absurdamente desestruturada, Elizabeth era filha de Henrique, grande rei protestante e que tinha um grande apetite  casamenteiro, Henrique se uniu com oito mulheres diferentes em toda a sua vida, Elizabeth é fruto da segunda união, com Ana Bolena, morta anos depois a pedido do próprio Henrique. Elizabeth cresceu como filha bastarda e bastante distante do trono, devido a morte de um de seus irmãos e a problemas políticos e religiosos que impedira sua irmã, Maria, a permanecer no trono, Elizabeth virou rainha da Inglaterra ainda jovem e se deparou de cara com grandes problemas religiosos existentes. Elizabeth, assim como o pai, era protestante, e lutou contra a instauração da religião católica, fora que teve que lidar com as intrigas do trono.

Representar uma figura tão importante foi algo que o cinema sempre se prestou a fazer, e em 1998 essa ideia atingiu o seu ápice, com o filme Elizabeth, que trazia a até então desconhecida Cate Blanchett no papel principal vivendo a soberana inglesa. Ao contrário da minissérie da BBC de 1972 e o filme Mary, A Rainha da Escócia do mesmo ano, que trazia a rainha por uma ótica mais dura, o filme de 1998 se preocupou em tentar falar da rainha por um viés mais humano, tentando mostra-la como uma jovem despreparada para o trono e que teve que se adaptar a sua colocação. Passada para a história como rainha virgem, a Elizabeth do filme de 1998, tinha optado por essa ideia através de uma desilusão amorosa, ou seja, assim como em todos os filmes modernos, o romantismo estava presente também no filme, apesar desse estilo artístico ter surgido apenas no século XVIII. Esse Elizabeth de 1998 acabou sendo um dos responsáveis pela adoração que a Academia de cinema acabou depositando na história da monarquia inglesa e foi indicado a seis Oscars, fora isso, acabou gerando uma continuação lançado em 1997, e intitulado de A Era de Ouro.

A Era de Ouro pula alguns anos da história da rainha e representa um dos momentos mais críticos de seu reinado. Elizabeth vivia um bom período econômico e cultural em seu país, mas o catolicismo estava tomando conta do resto da Europa através da inquisição e não aceitavam os ideais protestantes impostos na Inglaterra. Elizabeth teve contra si o rei espanhol e ex cunhado, que queria derrubá-la do trono a todo o custo, no mesmo período, também chegou ao auge a rivalidade de Elizabeth com Mary Scoot, a rainha da escócia. Mary Scoot, da dinastia Tudor, acabou atentando contra a vida da rainha inglesa, foi condenada por traição e acabou tendo o pescoço cortado, esse fato acabou gerando a invasão da Espanha na Inglaterra, que acabou em derrota marítima em cima da Espanha e grande queda comercial. O segundo filme, assim como o primeiro, fala da rainha por uma ótica mais humana e também tenta concentrar a história em mais um romance mal sucedido da soberana. A fotografia, a montagem, a direção de arte e os figurinos do filme são excelentes e bastante fiéis a realidade da época, mas o roteiro apresenta diversos furos históricos e acabou desagradando cristãos e protestantes. Não se sabe se são verídicas as cenas do arrependimento de Elizabeth diante a morte de Mary Scoot e também as que mostram a rainha pedindo um beijo a um súdito. Esses momentos acabaram desagradando diversos críticos.  A Era de Ouro é mais uma representação comercial do cinema e que tenta criar a história da rainha por uma ótica mais comum.

Cate Blanchett, que vive a mesma Elizabeth nos dois filmes, tem uma competente e bem estruturada atuação  em ambas as produções, aproveitando que a era de Elizabeth acabou gerando o nascimento de diversos artistas, a atriz acabou pintando sua atuação com traços renascentistas. O resto do elenco está bastante competente nos dois filmes e se saem bem em suas representações.

Elizabeth e A Era de Ouro são duas das maiores super produções do cinema inglês a retratar a vida de sua família real, dois filmes impecáveis visualmente e que criam um grande sentimento expiatório na plateia, ao mostrar a rainha em momentos críticos de sua história política e pessoal. Mas que se pecam ao mostrar a história da rainha por um viés comum e as vezes até mentiroso, se apegando a criar momentos não verídicos para incrementar a história da soberana inglesa.

Elizabeth 7.5
Elizabeth - A Era de Ouro 7.0

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Melhores atuações femininas dos anos 50!

1- Gloria Swanson por Crepusculo dos Deuses



Gloria Swanson, grande estrela do cinema mudo, voltou ao centro da indústria em 1950 no papel da protagonista no filme Crepusculo dos Deuses, uma das maiores obras primas do diretor Billy Wilder. Vivendo um papel bastante semelhante a sua realidade na época, uma atriz esquecida, Gloria se mostra soberba, ao interligar acontecimentos de sua própria história com o surrealismo gritante do filme. Mesmo tendo uma atuação fortíssima e brilhante, a atriz perdeu o Oscar, em uma ação surreal da academia.

2- Bette Davis por A Malvada



Bette Davis, maior atriz de todos os tempos, conseguiu sua atuação definitiva como Margot, grande estrela teatral do filme A Malvada. Vivendo uma estrela que se vê ameaçada por uma oportunista atriz em ascensão, Bette brilha e reluz em cena com seu talento grandioso e carisma assustador. Protagonista de um dos maiores clássicos do cinema, Bette criou uma das melhores personagens femininas nesse filme e foi amada tanto pela crítica como pelo público. Mesmo estando em um filme recordista de indicações ao Oscar, a atriz não levou sua sonhada terceira estatueta, indo para casa de mãos vazias ao lado de Gloria Swanson, pelo menos Bette teve a sorte de vencer a Palma de Ouro do festival de Cannes.

3- Judy Garland por Nasce uma Estrela



Maior estrela juvenil que o cinema já teve, Judy Garland conseguiu a melhor atuação de sua carreira em Star Is Born, grande sucesso de crítica e público de 1954. Vivendo uma estrela que sobe na carreira enquanto seu interesse amoroso entra em decadência, Judy brilha nos números musicais e se mostra mais brilhante ainda nos momentos dramáticos. A atriz desde o começo foi a franca favorita para vencer o Oscar de melhor atriz, já que tinha sido seu grande retorno ao mundo cinematográfico, mas a academia preferiu o frescor jovem de Grace Kelly e a premiou, em um dos momentos mais injustos da história do prêmio.


4- Vivien Leigh por Uma Rua Chamada Pecado



Vivien Leigh, estrela do maior clássico da história do cinema (...E o Vento Levou), voltou a indústria em grande estilo como a protagonista do clássico Uma Rua Chamada Pecado. No papel de Blanche, Vivien arriscou sua paz mental e se dedicou de corpo e alma a sua personagem, o resultado é uma interpretação forte e soberba, digna de tirar o fôlego de qualquer cinéfilo. Blanche, que foi vivida oficialmente por Jessica Tandy no teatro, virou um personagem clássico do mundo do cinema na pele de Vivien Leigh, que se eternizou para sempre como uma das maiores atrizes de todos os tempos. A atriz venceu o Oscar, em uma das premiações mais justas da história da academia.

5- Shelley Winters por Um Lugar ao Sol



Shelley Winters subiu ao estrelato e virou uma das atrizes mais requisitadas dos anos 50 depois de sua atuação brilhante em Um Lugar ao Sol. Vivendo uma jovem que tem sua morte planejada pelo amante, Shelley rouba a cena dos dois protagonistas do filme, Elizabeth Taylor e Montgomery Clift,  e acabou sendo indicada ao Oscar da categoria de protagonista e quase levou a estatueta para casa. A atuação de Shelley é forte, emotiva e desesperadora na mesma medida, mesmo não levando a estatueta, acabou sendo premiada duas vezes posteriormente na categoria de coadjuvante.

6- Anna Magnani por A Rosa Tatuada



No papel de uma viúva que se vê envolvida com um caminhoneiro, Anna Magnani ganhou o Oscar e o respeito de todos os críticos. Bastante intensa e carregada em sua atuação, Anna chama a atenção devido a fortíssima carga emocional que leva em sua atuação.

7- Elizabeth Taylor por Gata em Teto de Zinco Quente



Elizabeth Taylor, uma das maiores estrelas da história do cinema, passou a ser realmente vista e respeitada como atriz na sua atuação forte no filme Gata em Teto de Zinco Quente. Devastadoramente sensual, Liz cria um excelente retratado de uma mulher acuada pelo distanciamento do marido, brilhando em cena e desaparecendo de sua persona pública. Elizabeth Taylor se tornou a maior estrela de Hollywood não apenas por sua beleza, mas também porque sabia atuar... e como!

8- Deborah Kerr por A Um Passo da Eternidade



Deborah Kerr conseguiu o papel de sua vida vivendo uma das maiores e mais inesquecíveis protagonistas femininas de um filme americano. Ousada, intocável, sensual e intensa, Deborah se tornou uma das estrelas maiores de Hollywood e uma das atrizes mais respeitadas do mundo cinematográfico. No papel da esposa de um militar na época da segunda guerra mundial, Deborah não se prende ao papel de diva e acaba partindo para um lado mais humano e natural, o que a torna ainda mais incrível ao olhos do público.

9- Shirley Booth por A Cruz da Minha Vida



Shirley Booth, atriz desconhecida do grande público, roubou a cena nos anos 50 com sua atuação emocionante no drama A Cruz da Minha Vida, pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz. No papel de uma mulher devastada pela perda da sua filha, Shirley se mostra forte e destemida, principalmente nos momentos mais densos do roteiro, onde ela consegue lidar com maestria com sua personagem. Uma atuação grande e que merecia ser mais lembrada pelos cinéfilos.

10- Anna Magnani por A Fúria da Carne


Anna Magnani conseguiu seu segundo pico nos anos 50 como a protagonista do filme A Fúria da Carne, de George Cukor. Como uma italiana levada aos Estados Unidos para se casar com o marido viúvo de sua irmã, Anna constrói uma atuação surreal, indo totalmente ao oposto de sua centrada atuação em A Rosa Tatuada.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Professora de Piano



Corre uma lenda no meio cinematográfico, que uma vez, o ator Laurence Olivier viu Dustin Hoffman usando de milhões de artifícios para incorporar seu personagem. Vendo o ator americano se torturando, Olivier disse "Dustin, porque você simplesmente não atua?". Essa frase de um dos maiores atores ingleses, cabe perfeitamente bem para descrever o trabalho de Isabelle Huppert no filme A Professora de Piano, sua primeira e potente parceria com o diretor Michel Haneke. Isabelle não tem a elegância de Catherine Deneuve, não tem a intensidade de Isabelle Adjani e nem o star quality de Juliette Binoche, mas mesmo assim, Isabelle é hoje a maior atriz francesa viva, e uma das maiores do mundo, A Professora de Piano foi o filme chave para a divulgação do seu nome para públicos mais diversos, já que antes ela fazia sucesso apenas entre cinéfilos e fãs de filmes cabeça.

A Professora de Piano conta a história de Erika. Mulher recalcada e presa em uma infância grotesca, Erika vive com sua mãe uma relação surreal, as duas dividem a mesma cama e as vezes chegam até a se agredir, fora de casa, Erika é uma professora respeitadíssima de piano, mas também é bastante famosa por destruir carreiras e sonhos alheios. Fora do mundo familiar e das artes, ninguem sabe que Erika é uma mulher reprimida e acabou criando hábitos sexuais bizarros, que vão da violência física até o voyeurismo. Quando se apaixona por um de seus alunos, Erika passa a se sentir atraida e ao mesmo tempo enojada, criando entre ela e o parceiro uma grande barreira que só irá ser quebrada com as revelações de seus instintos mais escondidos.

A Professora de Piano pode ser colocado facilmente ao lado de Repulsa de Sexo como um dos filmes mais crus a falarem sobre a sexualidade humana nos seus instintos mais baixos. Michael Haneke se mostrou gênio ao pegar como personagem principal de seu filme uma figura que passaria despercebida na sociedade e considerada normal. Fora isso, também mostra grande competência ao criar diálogos pouco vistos e que se ligam entre as duas vertences do filme. Sem usar trilha sonora ou jogo de imagens ousados, o diretor consegue criar tensão e sentimento expiatório na platéia.

Isabelle Huppert, com seu estilo mignon e sardento, cresce de forma grandiosa em sua atuação. A atriz se mostrou corajosa ao topar viver uma personagem que talvez suas colegas de profissão não topariam. Mesmo contando com a ajuda de um personagem carregado de simbolismos e emoções, Isabelle vai além e cria uma personalidade complexa e polêmica para Erika, criando uma das melhores intepretações da década passada e também um dos melhores retratos psicológicos já mostrados no cinema.

A Professora de Piano é um filme interessante e ousado, sua genialidade está em seu roteiro criativo e pelo fato de pegar uma grande atriz, e levá-la até o limite mais baixo da humilhação. Um momento rico e que merece ser sempre lembrado do cinema, uma das grandes obras da década passada.

9.5/10

terça-feira, 15 de maio de 2012

As Invasões Bárbaras



Na parte franco canadense do continente americano, um professor universitário vive seus últimos momentos de vida devido a um câncer. Mulherengo e com um longo histórico de traições, ele se depara com o filho crescido e yuppie, que se desloca de Londres para tentar ajudar o pai. A relação dos dois, que nunca foi um mar de rosas, se mostra estremecida e o jovem tenta conectar o pai com os velhos amigos acadêmicos. Reunidos depois de um longo período, a ex turma passa a relembrar de momentos mágicos de suas vidas, usando e abusando de diálogos intelectuais para tentar decifrar o declínio do império americano, tendo como pano de fundo o ataque terrorista de 11 de Setembro.

Seja no cinema americano ou inglês, a velha história de uma turma reunida depois de longos anos devido a doença ou a morte de um membro do grupo, já foi usada por anos a fio. O exemplo mais vivo na memória coletiva é O Reecontro, de 1983, que contava de forma bem característica do cinema americano a história de uma turma de amigos vivenciando a pós morte de um elo principal na amizade de todos, e também Para o Resto de Nossas Vidas de Kenneth Branagh, que contava a moda inglesa retratos de ex jovens prodígios depois de anos de distância. As Invasões Bárbaras não faz bem parte desse segmento cinematográfica, é na verdade uma continuação de O Declínio do Império Americano de 1986, que mostrava de forma bastante "cabeça" a conversa de quatro professores universitários em relação a política, sexo e relacionamentos no geral.

As Invasões Bárbaras mantém intacta sua personalidade original, apesar de contar uma história emocionante e feita para ser acessível para o grande público, em nenhum momento parte para o lado comum do cinema e também não tenta ser sentimental ou piegas, muito pelo contrário, continua a mostrar uma visão dura em relação ao surgimentos das sociedades como um todo. O diretor Denys Arcand não usa de grandes acontecimentos para dar o tom de seu filme, cria em todo seu projeto um ar de simplicidade bastante convicente, sem perder em nenhum momento o seu foco principal, o diretor filme como se fosse um escritor criando um livro.

O elenco corresponde a altura o ótimo roteiro. Os nomes de As Invasões Bárbaras são os mesmos do filme anterior, com excessão de Stephane Rousseau e da excelente Marie Josée Croze, que rouba a cena no filme vivendo a filha viciada de uma das membras da turma de amigos, pelo seu papel nesse filme, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes.

Um filme inteligente, forte e comovente, sua cronologia não é muito comum no cinema americano e guarda mais similaridades com o cinema francês, mas mesmo assim vale a conferida.

7.5/10