Você percebe que nem tudo está perdido nesta vida quando Isabelle Huppert termina um filme como "A Escola da Carne" com este olhar, depois de ter passado mais de uma hora e meia comendo o pão que o diabo amassou. Um dia farei uma lista das melhores atuações de Isabelle Huppert, atriz impressionante, uma atuação melhor que a outra, parece que os diretores e roteiristas dirigiam e escreviam pensando apenas nela.
Esse blog tem como idéia central celebrar a sétima arte, eu sou um grande amante do cinema e ficarei feliz em compartilhar minhas idéias com os visitantes, sejam bem vindos.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Filmes para entender sobre influencia da mídia, jornalismo televiso sensacionalista, crítica à sociedade americana e ao sistema capitalista. (PARTE 1)
Rede de Intrigas
Filme de 1976 dirigido por Sidney Lumet. Trata sobre o
universo televiso norte americano e sobre o momento em que os executivos
deixaram de investir em um jornalismo sério e passaram a produzir apenas pela audiência
e pelos fins lucrativos. O filme é uma forte crítica ao sistema televiso que se
aproveita do sensacionalismo e utiliza de sua influência para alienar os
telespectadores e moldar as opiniões públicas. Uma das maiores ousadias da
direção e do roteiro é mostrar como a mídia faz uso do conceito de poder para
criar prazer em relação á violência, inclusive endeusando a imagem de
criminosos. O filme ganha força quando o
personagem interpretado brilhantemente por Peter Flinch, Howard Beale, critica
o próprio sistema capitalista e cria um grande conflito da população norte
americana com o estado. O próprio sistema, representado pela personagem de Faye
Dunaway, uma mulher de personalidade fria e calculista, demonstra que tem
defeitos ao influenciar seres humanos apáticos. A atriz interpreta com maestria
a sua personagem, desenvolvendo uma personalidade mecânica e incapaz de
demonstrar afetos. Ao tocar em tantos
problemas relacionados ao período pós-moderno, Sidney Lumet mostrou-se um
visionário. Mesmo sem saber os rumos que o sistema televiso iria tomar, produziu
uma obra de forte apelo comercial, ao mesmo tempo que desenvolve uma forte
crítica ao sistema midiático.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
De Repente, No Último Verão
Um cinéfilo consegue reconhecer a
melhor atriz de todos os tempos quando a maior qualidade dos filmes em que essa
atriz participa é a própria presença dela nos projetos, presença esta que acaba
superando as outras qualidades das produções que participa. Katharine Hepburn
parece ser o tipo de atriz que melhor se aproxima deste perfil descrito a cima,
a atriz parecia ter o dom de aumentar o nível de qualquer projeto em que se
envolvia. Não que “De Repente, No Último Verão” possa ser considerado um mau
filme, muito pelo contrário, trata-se de uma produção de altíssimo nível, um típico
produto da época de ouro de Hollywood, excelentemente bem dirigido por Joseph L. Mankiewicz. Apesar de não ser um profundo conhecedor das obras de Tennesee
Williams, tive contado com as obras desta autora apenas pelas adaptações
cinematográficas de suas obras caso de “Um Bonde Chamado Desejo” e “Gata em
Teto de Zinco Quente”, sinto que o roteiro de “De Repente, No Último Verão”
trata-se de uma excelente adaptação da peça de mesmo nome. O diretor consegue
criar toda uma atmosfera de suspense e tensão em seu filme, desde o momento inicial
fica clara as suas intenções. Mankiewicz consegue usar de diversas câmeras para
registrar todas as ações e todos os gestos dos personagens, levando a história
a outro nível do que tinha sido apresentada nos palcos. O roteiro, cheio de
referências intelectuais e filosóficas, consegue ser acompanhado com maestria
pelos atores, que não fogem do ponto em nenhum momento. Katharine Hepburn rouba
a cena desde o primeiro momento, consegue criar uma personalidade complexa e
misteriosa para sua personagem mesmo quando ela apresenta-se aos
telespectadores de maneira sã e controlada. Os outros dois protagonistas,
Elizabeth Taylor e Montgomery Clift, mostram competência e talento, conseguindo
destacarem-se mesmo contracenando com um monstro sagrado. Mercedes McCambridge,
que interpreta a mãe da personagem de Elizabeth Taylor, passou batida das
premiações da época por esta personagem, porém, sua atuação merece ser notada.
Um dos únicos pontos negativos do filme, isto acaba fugindo totalmente do
contexto da direção e da produção, tem a ver com o final do roteiro. Apresentando
um desfecho absurdo, Tennessee Wiliams demonstra uma visão preconceituosa e
xenofóbica em relação aos nativos representados em cena. Mostrando-os como
selvagens e aculturados, a autora tenta mostrar que na verdade, os personagens
brancos e ricos da história sofreram e foram vitimas de seus próprios atos de bondade,
ao tentarem ajudarem estes nativos e receberem em troca violência por parte
deles. Mesmo com esta gafe, o filme não perde seu brilho, principalmente por
causa de Katharine Hepburn, que desde o momento em que aparece em cena
transforma a sua personagem em um retrato psicológico do espírito da própria
Tennessee Williams.
8,0/10
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
21 Gramas
Desde que estourou no mundo do cinema em 2001 com o elogiado drama Amores Brutos, o diretor Alejandro González Iñarritu sempre tentou aliar com suas produções cinematográficas sentimentos como tristeza, dor e perda. Alguns críticos acusam o diretor de apenas se repetir em todos os seus filmes, mudando apenas a dimensão dos acontecimentos que estão no centro de suas produções, o que de certa forma é verdade, mas que não atrapalha em nada o desenvolvimento e a aclamação de seus projetos, como se pode ver facilmente em sua famosa trilogia, que começou com o já citado Amores Brutos, continuou com 21 Gramas, sua primeira produção americana, e terminou definitivamente com o trágico Babel.
21 Gramas é o que pode se chamar de filme cru, pelo menos na teoria. A história acontece em torno de três personagens centrais, vividos pelos atores Sean Penn, Naomi Watts e Benicio Del Toro. Um acidente provoca a morte de um pai e suas duas filhas pequenas e os três personagens, vividos pelos respeitados atores de Hollywood, de mundos totalmente diferentes, irão ter suas vidas cruzadas para sempre. O enredo dá espaço para o diretor mostrar em tela cenas de verdadeiro abalo emocional para os telespectadores mais desavisados. Sem ter medo de ser ousado, o diretor constrói imagens fortes e acontecimentos chocantes em cena, com a intenção é claro, de demonstrar a profunda tristeza e culpa que cerca a vida de seus protagonistas.
Apesar de um começo um tanto quanto confuso, em que o diretor tenta mostrar fatos de forma solta e sem definir uma cronologia dos acontecimentos, logo o filme toma embalo e convence com um roteiro bem construído e bem amarrado, em que os detalhes mais ricos são mostrados em pequenos e preciosos momentos, principalmente naqueles mais íntimos, em que os personagens se comportam de forma mais humana e longe dos estereótipos de filmes dramáticos/trágicos. Nesse campo, o mérito é todo dos três atores centrais, mostrando verdadeiros shows de atuações. É de se admirar e aplaudir a coragem e a entrega dos três intérpretes, sem se preocuparem com a glamourização da profissão do ator, demonstram falta de vaidade profissional e carimbam seus ricos currículos com atuações fortes, comoventes e convincentes.
21 Gramas talvez seja o melhor representante do currículo do diretor, uma produção pouca vista no cinema americano moderno, em que a força do roteiro por si só, impulsiona e inspira os outros envolvidos no projeto. É de lamentar, que depois de Babel, o diretor e o roteirista Guillermo Arriaga se separaram profissionalmente, mostrando que a parceria era extremamente rica para ambos os lados, já que nenhum dos dois conseguiu se destacar com seus filmes pós-separação.
Nota: 9,0
Assinar:
Postagens (Atom)



