Algumas pessoas podem ter dificuldade para entender o novo filme de David Cronenberg, por essa razão vai algumas dicas para ter uma melhor visão sobre o filme...
Uma das personagens principais da produção passa despercebida em diversos momentos da história, essa personagem atende pelo nome de Carrie Fisher. Para quem não conhece a história dessa personagem, ela na verdade está interpretado-se, Carrie Fisher foi uma atriz que ficou famosa interpretando a Princesa Leia da série Star Wars. Depois de um período de fama, a atriz entrou em decadência e passou a usar algumas substâncias, da mesma forma que a personagem de Julianne Moore. Além dessa "coincidência", outro fator chama a atenção na história, Havanna (interpretada por Julianne Moore) era filha de uma atriz famosa, da mesma forma que Carrie Fisher também era filha de uma atriz famosa, no caso, da diva Debbie Reynolds.
Carrie tinha uma relação turbulenta com a mãe, da mesma forma que a personagem de Julianne Moore. Depois que viu sua carreira entrar em decadência, retornou contato com Debbie, o que acabou inspirando-a à escrever um livro chamado Postcards To The Edge. O livro fez tanto sucesso que acabou rendendo uma adaptação cinematográfica em 1990 com Meryl Streep interpretando uma atriz decadente e dependente química (assim como a própria Carrie e como a personagem de Julianne Moore em Maps To The Stars) que retorna a ter contato com a mãe que nunca se deu bem.
A partir disso, Carrie acabou tornando-se uma roteirista importante. A escolha de David Cronenberg por sua história não foi mero acaso, alguns momentos de Maps To The Stars apontam que o diretor trabalha seu filme sobre uma visão surrealista sobre a história da própria Carrie Fisher. Em alguns diálogos entre os personagens fica clara esta intenção, principalmente quando eles se referem ao nome de Carrie Fisher, como na cena onde Havanna encontra-a em um restaurante e Carrie à incentiva a lutar pelo papel que foi de sua mãe.
Em Maps To The Stars Carrie Fisher está tentando escrever um livro contando a história de uma garota queimada, a personagem de Mia Wasikowska tem diversas queimaduras causadas por um incêndio. Carrie Fisher indica a personagem de Mia para o cargo de assistente da personagem de Julianne Moore, mas por qual razão ela indicaria uma garota com características tão próximas a da personagem de seu livro para trabalhar para uma mulher com características tão próximas às suas? Fica subentendido que os personagens do filme de David Cronenberg na verdade são frutos da mente de Carrie Fisher e que tudo gira em torno de sua história. A atriz tornou-se uma das maiores representações dos problemas que a indústria do cinema podem causar na vida de alguma pessoa, o filme de Cronenberg em todos os momentos demonstra críticas a este mesmo universo. A metalinguagem fica clara pois a vida de Carrie Fisher foi representada em livros e no cinema, tornando-se um personagem também na vida real. Seria a personagem de Mia Wasikowska uma revolta de Carrie Fisher ao universo do cinema? uma forma dela "matar" definitivamente seus complexos de inferioridade por ter sido filha de uma grande estrela? Se esta teoria for verdadeira, Maps To The Stars trata-se de um grande filme.
Esse blog tem como idéia central celebrar a sétima arte, eu sou um grande amante do cinema e ficarei feliz em compartilhar minhas idéias com os visitantes, sejam bem vindos.
sábado, 13 de dezembro de 2014
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Garota Exemplar
O filme “Garota
Exemplar” tem diversas características do cinema moderno. A produção é adaptada
de um livro best seller, uma parte de sua história centra-se em um condomínio
de luxo (assim como Beleza Americana e a série Mad Men) e o casamento dos dois
protagonistas é trabalhado sob uma visão infeliz e decadente (assim como em
Namorados para Sempre). Mas esqueça de todas essas características, apesar de
tudo Garota Exemplar ainda vai te surpreender. O filme, dirigido por David
Fincher e produzido por Reese Whiterspoon (que iria interpretar Amy, mas
desistiu para fazer “Livre”), é um suspense envolvente e de primeiro nível. A
história começa quando o personagem de Ben Affleck (Nick) chega de manhã em sua
casa e percebe que sua esposa (Amy) sumiu, deixando rastros de violência pela
casa, sendo vítima de um suposto sequestro seguido de morte. A primeira metade
do filme centra-se em culpar o marido pelo crime e mostrar a “pseudo vida”
sofrida de Amy, até que uma surpresa muda todo o rumo da história, deixando o
espectador chocado e vidrado pelas próximas uma hora e meia sem interrupção.
Garota Exemplar ás vezes me pareceu um filme que critica o modelo de vida norte
americano, ás vezes me pareceu uma critica aos casais modernos, ás vezes me pareceu
um filme feminista e ás vezes me pareceu um filme “anti feminista”, uma das
razões dele ser tão bom é que ele é isso tudo e um pouco mais. A personagem
principal interpreta por Rosamund Pink é com certeza uma das personagens
femininas mais icônicas da nova década, impossível esquecer a atuação
desenfreada e ousada da atriz. Rosamund poderia vim a vencer todos os prêmios
por sua atuação, mas definitivamente, a sua premiação pode atrapalhar a áurea que
o filme pode vim a ganhar no futuro, provavelmente daqui a uns vinte anos será
tão lembrada quando Geena Rowlands em Uma Mulher Sob Influência. Garota
Exemplar é um filme que merece ser visto quantas vezes for necessário, David
Fincher deixou de lado seus épicos modernos para se concentrar em um filme com
uma história instigante e envolvente, por alguns momentos fez o público lembrar-se
do diretor incrível que conquistou o mundo com Clube da Luta e Seven.
9.5/10
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
O Grande Hotel Budapeste
Louvados sejam os santos
abençoados que inventaram às inovações tecnológicas que permitiram a realização
de um filme como O Grande Hotel Budapeste. Talvez muitos diretores já tiveram a
ideia de filmarem seus filmes como repetidas cenas que se assemelhavam a obras
de arte, porém, acho que poucos foram tão felizes quanto Wes Anderson nesta
produção. Os primeiros trinta minutos de exibição do seu novo filme são de
tirar o fôlego, com repetidas cenas deslumbrantes de cenários filmados por uma
câmera panorâmica. Tudo é muito bem sincronizado e cada cena remete a alguma
obra de arte do período que os quadros representavam o gosto acadêmico e
aburguesado do público. Wes Anderson filmou sua história com uma estética tão
perfeita que em determinado momento o espectador se pega distraído em relação
ao roteiro. Se não fosse pela presença de Tilda Swinton, que aparece em três
cenas como a idosa amante do dono do hotel interpretado por Ralph Fiennes,
talvez não tivesse percebido que a história se trata sobre ambição, amor e
injustiças. Todo o roteiro se gira em torno da personagem de Tilda Swinton,
mesmo ela aparecendo por menos de cinco minutos, e ter uma atriz deste quilate como
suporte já é algo grandioso em qualquer filme. A partir da morte da personagem
o filme ganha vida e charme, se tornando em um típico épico, onde diversos
atores de gabarito aparecerão em cena, alguns de forma esquecível e outros de
forma brilhante. Ralph Fiennes e Antonhy Quinonez estão ótimos, já Léa Seydoux
e Adrien Brody foram tão mal aproveitados, que muitas pessoas terão dificuldade
de lembrarem nos créditos que os dois fizeram parte da produção. Na sua segunda
metade, O Grande Hotel Budapeste perde muito de sua força, o diretor parece
evitar tocar em temas controversos, as ações não chegam a causar grandes
emoções e em alguns momentos a história torna-se piegas. Mesmo com alguns
defeitos, O Grande Hotel Budapeste pode ser considerado um bom filme, porém, é
incerto se irá se tornar no futuro um clássico.
7.0/10
Sincronia em cena:
Tilda Swinton: inesquecível em qualquer momento ou tempo em cena.
Amnésia/Memento
As décadas de 40 e 50 são
lembradas pelos filmes dramáticos com personagens femininas, as décadas de 60 e
70 são lembradas por filmes temáticos sobre a revolução sexual e a inovação que
permitiu o surgimento de diversos diretores geniais (Martin Scorsese, Steven
Spielberg, Coppola...) e a década de 80 pela fantasia. Já a década de 00 daqui
a algumas décadas vai ser lembrada por diversos tipos de filmes, entre eles as
produções envolvendo a temática da mente humana e da memória. A primeira metade
da primeira década do atual milênio foi rico em roteiro instigantes e
desconectados da cronologia história, caso do genial Brilho Eterno de Uma Mente
Sem Lembranças, o tenso Camisa de Força, o comercial Efeito Borboleta, o bom
Donny Darko e até a comédia Como Se Fosse A Primeira Vez. Um dos melhores
filmes dessa safra foi Amnésia, de Christopher Nolan, o primeiro filme do
diretor. Amnésia foi lançado de forma independente nos cinemas e fez um
considerável barulho nos mercados comerciais. Os críticos elogiaram
principalmente a forma engenhosa do diretor gravar o seu roteiro, de trás para
a frente, já que seu protagonista sofria de perca de memória precoce, o que o
impossibilitava de ter certeza sobre acontecimentos ocorridos a poucos horas passadas.
Logo de início o espectador se depara com uma cena chocante, o personagem
principal interpretado por Guy Pearce mata outro homem com um tiro a “queimar
roupa”. A partir daí a história passa a ser contada ao contrário, mostrando quais
as razões do protagonista ter cometido tal crime, o espectador, assim como o
personagem, se depara com revelações chocantes que irão por em dúvida a
veracidade dos fatos mostrados em cena. Em determinado momento não fica claro
quem é o “mocinho”, quem são “vilões” e se a causa do personagem principal é
verídica. O filme é bom, mas perde alguns pontos com o desfecho final, ao
tentar encaixar todas as peças do seu quebra-cabeça, Nolan tira muito da graça
do seu filme. Na verdade é meio complicado julgar o diretor por esta falha,
seria mais certo dizer que a culpa foi do estúdio que deve ter cobrado um final
mais “entendível” e de fácil assimilação para o público.
7,5/10
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
“Faça a coisa certa” e as várias formas de preconceito.
Uma vez li em uma edição antiga
da revista Veja a seguinte notícia relacionada á edição do Oscar de 1990 “a
atriz Kim Besinger protestou no palco do Oscar pelo esquecimento do filme
negro, do diretor negro e que produz para os negros, Faça a Coisa Certa, de
Spike Lee, na categoria principal da noite”. Esta nota carregada de um tom “bem
humorado” demonstra a visão distorcida que algumas pessoas tinham em relação ao
filme em questão. Faça a Coisa Certa não é um filme “sobre negros”, tacha-lo
dessa forma só diminuía a dimensão de sua importância. O filme de Spike Lee é
uma real e chocante encenação que retrata as várias formas que o preconceito
pode ser visto. Nenhuma minoria escapa da visão do diretor, todos os
personagens são inseridos em causas e efeitos que geram o caos generalizado
visto em cena. Um excelente filme sobre a sociedade contemporânea.
10/10
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
A História Real: O filme mais sentimental de David Lynch.
A História Real foi o primeiro e único "road movie" lançado por David Lynch. O filme também foge do perfil dos filmes que tornaram o diretor em um nome famoso, caso de Coração Selvagem e O Veludo Azul. A História Real conta a história de um idoso que viaja em sua máquina de cortar grama para rever seu irmão que está a beira da morte. O diretor usa em alguns poucos momentos sua personalidade controversa, no geral tenta criar uma obra emotiva, com diversas mensagens sensibilizadoras e um final tocante. A bela forma que a velhice é retratada em A História Real mostra que David Lynch também tem lindos e sensíveis sentimentos em seu interior.
domingo, 30 de novembro de 2014
Antes de reclamar da vida...
...lembre-se que para Lola esteve bem pior nos idos de 1998. Corra Lola, Corra é um filme que definitivamente não me cansa, a mensagem da produção é tão envolvente, original e visionária que vai demorar alguns muitos bons anos até a produção tornar-se datada. O filme é definitivamente a cara da década de 90, a trilha sonora "clubber", os visuais, as referências a desenhos animados e a videogames (Lola tenta "passar de fase" em três tentativas, igual nos jogos de videogame que bombavam na época com a Nitendo e a Playstation), porém, foi além do estereotipo de "filme moderninho". Assim como outros clássicos do cinema alemão, usa e abusa de referências filosóficas. Seguindo os passos de Wim Wenders, Tom Tyker não deixa passar nenhuma dúvida, "de onde vimos", "para onde vamos", "o destino existe?" e "as coisas são premeditadas?". Por fugir de todas os lugares comuns existentes no mundo cinematográfico, Corra Lola, Corra já aparece na condição de clássico.
9,5/10
9,5/10
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